• Ana Carina Nunes

Sustentabilidade e Economia Circular


Hoje trago-vos uma tema que este ocupou uma grande parte do meu fim de semana. Ontem foi dia de marcar a minha presença no organii eco market! Desta vez fui para além de visitante deste interessante mercado que à semelhança das edições anteriores, nos convida a conhecer novas marcas e projetos bio e eco aliados a uma agenda recheada de palestras, talks, workshops e showcookings com convidados de referência, ajudar precisamente a minha amiga evagoodlife em representação do instituto macrobiótico de oprtugal a fazer o seu showcoooking sobre este tipo de alimentação em especial molhos e patés fáceis e simples de fazer. FFoi sem dúvida um privilégio fazer de ajudante desta grande iniciativa porque me fizeram pensar muito mais sobre esta forma de alimentação mas também de novas formas de vida e sobretudo sobre projectos de vida mais sustentável e de economia circular!

O que é afinal sustentabilidade?

Numa altura em que a sustentabilidade está cada vez mais em voga, conceitos como a economia circular começam a tomar um lugar preponderante na sociedade e são apontados como uma solução de futuro para combater os padrões atuais de consumo e as alterações climáticas.

Para perceber a importância e urgência da adopção de um novo paradigma de modelo económico, basta dizer que, nos últimos 100 anos, passámos a usar 34 vezes mais materiais naturais ou sintéticos, 27 vezes mais minerais e 12 vezes mais combustíveis fósseis. Todos já percebemos que estes níveis de consumo são absolutamente insustentáveis, mas mudar os hábitos requer tempo e muito evangelização. Ora, este modelo económico assenta precisamente na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, prometendo um mundo mais sustentável. Há inúmeras organizações a nível mundial que já despertaram para esta emergência ambiental e começam agora a implementar novos modelos económicos alicerçados no conceito de economia circular.

As mudanças que estão acontecer, principalmente na consciência cívica, na inovação, na vontade de lutar por um Ambiente melhor, parecem marcar o caminho para uma nova era e entidades como a União Europeia têm definido bem as suas estratégias para o futuro.

Em 2010, foram extraídos 65 mil milhões de toneladas de recursos do planeta para fazer funcionar a economia global. Em 2020, o número aumentará para perto de 100 mil milhões e em 2050, com a população a crescer para os 9,7 mil milhões, vamos precisar de 186 mil milhões de toneladas.

Contas feitas, daqui a 30 anos serão necessários três planetas para sustentar o modo de vida atual. A pressão sobre o preço das matérias-primas – em que a UE tem uma autossuficiência de pouco mais de um terço – continuará a aumentar e cada vez que o crescimento económico acelerar, o problema agrava-se porque o consumo/procura dispara.

Se é verdade que nos últimos anos assistimos a alguma evolução e a esforços redobrados para fazer as pazes com o ambiente reciclando mais, também é certo que muito ainda está por fazer. Não apenas neste domínio – no qual Portugal é um dos atrasados, a mais de 10 pontos percentuais da meta europeia para 2020 –, mas em toda a cadeia de valor, e é aí que entra este novo paradigma.

Economia circualar: fechar um ciclo de cada vez, até dizer adeus à economia linear

A economia circular é muito mais do que reciclar. É olhar além dos resíduos, desde o início da cadeia e ir tentando fechar ciclos ao longo do processo todo, para que seja possível recuperar, regenerar tudo o que sejam materiais e produtos ao longo do seu tempo de vida útil.

Implica novas lógicas de design, de arquitetura, redesenho de processos e novos modelos de negócio, que a pouco e pouco começam a chegar ao terreno, quer por força da nova legislação europeia, que tem vindo a estabelecer as bases para esta transição em vários domínios, quer pela busca de processos de produção e distribuição mais eficientes, por parte das próprias empresas.

No terreno, um dos maiores desafios do modelo está na coordenação de esforços que exige. As chamadas simbioses industriais são uma das grandes máximas da economia circular e pressupõem que os elementos de uma mesma cadeia de valor comuniquem entre si para encontrar sinergias, ganhar eficiência e poupar recursos. Pode ser na partilha de infraestruturas, na partilha do transporte de determinado produto, ou para encontrar formas de aproveitar um resíduo ou subproduto de uma determinada indústria, para ser usado noutra como matéria-prima.

Um dos exemplo que encontrei no ecomarket foi precisamente uma marca de detergentes a eco-x que utiliza os óleos alimentares já usados para o fabrico de detergentes sustentáveis com máximo aproveitamento de desperdícios promovendo a economia circular através de soluções inovadoras e sustentáveis.

As mudanças que estão acontecer, principalmente na consciência cívica, na inovação, na vontade de lutar por um Ambiente melhor, parecem marcar o caminho para uma nova era e entidades como a União Europeia têm definido bem as suas estratégias para o futuro.

Os principais agentes mundiais, como a União Europeia (EU), têm o dever de tomar medidas e assumir posições em relação a um tema essencial à vida na Terra como o Ambiente. A aposta em incutir princípios como o da Economia Circular demonstra um trabalho dedicado e propostas a seguir. Foi na continuidade desse esforço de incentivar medidas ambientais que a UE publicou a Estratégia Europeia para os Plásticos, da qual merecem destaque:

A proposta de redução do impacto de determinados produtos de plástico no ambiente, focada no combate ao lixo marinho: uma percentagem significativa dos plásticos encontrados nos mares resultam de embalagens de plástico de uso único, pelo que uma das principais bandeiras desta estratégia é proibir/substituir este tipo de produtos. A promoção de planos nacionais de ação para a Economia Circular e de combate ao desperdício alimentar, como uma base para que os principais intervenientes, como os grandes retalhistas, possam orientar a sua conduta

A percepção de que a indústria está empenhada em encontrar alternativas mais sustentáveis para os plásticos de uso único e da multiplicidade de trabalhos que estão a ser desenvolvidos nas universidades, um pouco por todo o mundo, dedicados a esta temática bem como a sensibilização dos consumidores para este problema, com especial atenção por parte das camadas mais jovens. Estas iniciativas e indicadores de mudança servem de exemplo para o trabalho contínuo que a marca tem vindo a desenvolver e funcionam, num todo, como esforço conjunto para que efectivamente haja uma diminuição progressiva da dependência da utilização de plásticos de origem fóssil, para que se criem condições para a reintrodução das matérias-primas no ciclo de produção de novos produtos e para que se prolongue o ciclo de vida dos produtos e do Ambiente.

Os ganhos podem ser imensos e diminuir substancialmente a pressão sobre uma Europa que importa dois terços da matéria-prima que utiliza e que concentra aí 30 a 50% dos custos de produção.

Cinco mandamentos da economia circular 1. Criar para durar produtos e serviços desenhados para vários ciclos de vida e utilizando menores quantidades de recursos; 2. Produzir sem poluir privilegiando componentes livres de substâncias tóxicas, processos de produção limpos e energicamente eficientes e com a preocupação de identificar subprodutos que maximizem o aproveitamento da matéria-prima, componente ou material; 3. Distribuir de forma eficiente apostando na partilha, criando redes de distribuição (logística) que em conjunto sirvam as necessidades de diferentes atores, recorrendo aos meios de transporte mais sustentáveis; 4. Usar o máximo de tempo possível cada produto ou serviço, na função para que foi criado ou noutras e reparando-o enquanto for possível; 5. Fazer do fim um novo princípio quando a vida útil de um equipamento chega ao fim, tendo respostas para assegurar a sua reentrada no ciclo, seja através da reutilização criativa dos materiais, ou do aproveitamento dos resíduos para criar novos produtos.

Outras das ideias debatidas durante o fim de semana foi a compra de um carro eléctrico para substituição do meu atual. A evolução tecnológica verificada nos últimos anos em relação à autonomia e preço das baterias, a melhor eficiência dos tempos de carga, maior potência, levam à consideração de compra de veículos 100% eléctricos ou híbridos plug-in, como alternativa a um veículo novo a combustão.

A grande vantagem ambiental é uma das suas principais características, com emissões nulas de CO2, o que permite a mobilidade nos centros das cidades cada vez mais restritos, por toda a Europa, a viaturas a combustão. O custo de utilização do veículo eléctrico é também muito menor, quer em termos de custo por quilómetro - cerca de um terço ou menos quando comparado com um veículo a combustão - quer em termos de custos de manutenção, uma vez que não necessitam de mudanças de óleo regulares. As viaturas elétricas são de grande vantagem na condução urbana, sem necessidade de embraiagem e com uma transmissão que utiliza as travagens frequentes para regenerar a energia de travagem e o carregamento das baterias. Os veículos eléctricos mantêm, por enquanto, um conjunto de benefícios fiscais para particulares e empresas, bem como o apoio à aquisição e a não tributação autónoma nas despesas de carros eléctricos. Algumas autarquias permitem o estacionamento gratuito ou a preço reduzido.

Pensem em ter um vida mais sustentável e vivam saudavel-mente!

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