• Ana Carina Nunes

Germinados: os superalimentos vivos


Com o ritmo de vida alucinante que levamos, a par dos problemas com a salubridade dos alimentos que ingerimos, cada vez mais somos impelidos a consumir opções dietéticas menos saudáveis e que sejam rápidas e fáceis de fazer, certo? No meio de uma infinidade de comidas industrializadas e todos os malefícios que estas causam à saúde, os alimentos crus e vivos são uma espécie de oásis no caos, um respiro para o corpo. Esse grupo engloba apenas alimentos de origem natural e que não tenham passado por nenhum processo industrial antes do consumo. Sementes germinadas, frutos, legumes e verduras são alguns exemplos.

A alimentação viva, além de saborosa, fornece vitaminas, elimina toxinas, é mais facilmente digerida pelo organismo, e o consumo dos ingredientes ao natural faz com que absorvamos mais nutrientes. A comida cozida perde 50% de suas proteínas e 70 a 90% das vitaminas e minerais. Ingerir alimentos vivos aumenta ainda o vigor físico e mental, regula o funcionamento do intestino e ajuda no combate ao diabetes e a doenças cardiovasculares.

Nesta óptica, no postde hoje abordo o tema da germinação, uma técnica comum em muitos países asiáticos e também nos EUA, em alguns países europeus e que, em Portugal, já conta com muitos adeptos. Em restaurantes chineses ou naquele delicioso rodízio de comida japonesa, já deve ter experimentado algum prato à base de rebentos de grãos germinados de soja ou feijão moyashi. A culinária oriental inclui esses ingredientes deliciosos e crocantes há muito tempo – há registos desde a época da construção da Muralha da China, cerca de 300 anos antes de Cristo.

O que são os alimentos germinados ?

Chamam-se “alimentos germinados” aos rebentos ou brotos obtidos através da germinação de sementes de cereais e leguminosas. Normalmente, essa germinação é feita em casa e os rebentos obtidos são utilizados diariamente na alimentação.

A germinação é um processo extraordinário que liberta as energias latentes na semente dando origem a uma planta. Através deste processo, o amido é transformado em açúcares mais simples pelas enzimas e as proteínas são decompostas em aminoácidos. Há absorção de grandes quantidades de água, sintetizam-se vitaminas e enzimas e há uma mobilização de minerais. Tal como a cozedura das sementes, a germinação é uma espécie de pré-digestão. Mas, ao contrário do que acontece com a cozedura, através da germinação não há perda de nutrientes, antes pelo contrário. As sementes de uma determinada planta são verdadeiras concentrações de nutrientes, de certa forma "adormecidas”, à espera das condições ideais para se desenvolverem. Quando damos água, oxigénio e uma determinada temperatura às sementes iniciam-se processos bioquímicos que têm como finalidade a criação de uma nova planta. O mais elevado ponto de vitalidade no ciclo de vida de uma planta ocorre quando esta é um rebento, daí os seus benefícios nutricionais. Ao germinar, alguns nutrientes dos cereais e das leguminosas multiplicam-se. É o caso da vitamina C, que é praticamente inexistente no grão de trigo, mas que, uma vez germinado, aumenta 600% o seu teor.

Este processo de germinação geralmente começa quando as sementes são ementadas em água por várias horas. As sementes encharcadas são então expostas à combinação certa de temperatura e humidade e deixadas crescer entre dois a sete dias. O produto final é geralmente um rebento que mede de 2 a 5 cm de comprimento. Existem vários tipos de alimentos que podem ser germinados. Mas os mais comuns e fáceis de fazer em casa são:

  • Leguminosas: tais como lentilha, azuki, grão-de-bico, soja, feijão mungo, feijão preto, feijão, ervilha e alfafa.

  • Cereais: tais como arroz integral, espelta, trigo mourisco, amaranto, kamut, centeio, quinoa e aveia.

  • Vegetais ou folhas: como rabanete, brócolos, beterraba, mostarda verde, trevo, agrião e brotos de feno-grego.

  • Oleaginosas: como sementes de amêndoa, avelãs, nozes, sementes de abóbora, sementes de gergelim ou sementes de girassol.

Tenha em conta que cada grupo tem tempo de germinação diferente. E o processo pode terminar quando a planta começa a crescer e tiver o tamanho da semente ou grão que a originou. Os rebentos geralmente são consumidos crus, mas também podem ser levemente cozidos antes de comê-los.

Como fazer germinados?

Escolha grãos íntegros e de boa qualidade, lave-os bem e coloque num recipiente de vidro limpo de preferência largo e não profundo, que permita que o ambiente se mantenha bem arejado. Coloque três colheres de sopa das sementes e deixe-as de molho em água mineral por uma noite (cerca de 12 horas).

Para evitar contaminação, mas ao mesmo tempo permitir a circulação de ar, cubra o recipiente com um guardanapo fino. Pode-se usar um elástico para prender melhor a cobertura. Deixe de molho por 12 horas, de preferência em local com pouca luz. A temperatura ideal é de 25 a 30°C.

Na manhã seguinte escorra a água, lave as sementes e escorra novamente. O ideal é lavar as sementes duas vezes ao dia, para retirar os resíduos do próprio grão. Devolva-as ao recipiente ainda húmidas e tampe novamente. Esse procedimento de escorrer e lavar deve ser repetido pelo menos a cada 12 horas, até que os grãos germinem e os brotos alcancem cerca de 5 cm de altura. As sementes e cereais costumam demorar de 2 a 3 dias, enquanto que as leguminosas costumam demorar de 4 a 5 dias.

Normalmente torna-se visível quando uma pontinha branca rompe a casca do grão. Em dias quentes isto acontece em 48 horas, em média. Ao aparecerem as primeiras folhinhaa dos brotos , os rebentos já estão prontos para serem consumidos. Se esperar mais seis ou sete dias, tornar-se-ão rebentos bastante maiores e mais enriquecidos. Para germinar, os feijões mais indicados são os orientais, como moyashi e azuki.

Como consumir?

Para aproveitar todo o potencial nutritivo dos grãos germinados, é preferível consumi-los crus. Eles são leves, crocantes e ficam deliciosos enriquecendo saladas de folhas!

Podes conservá-los no frigorífico durante 4 dias, depois de lavados. Servem para as mais diversas preparações culinárias. Se ainda não tem familiaridade com esses ingredientes, pode começar usando em pratos quentes e, aos poucos, incluir em receitas de alimentos crus como em saladas e sandes, misturados com outros legumes, salteados, adicionados a molhos, e de outras formas que a tua imaginação sugerir.

Depois de colhidos podem ser colocados no frigorífico para se manterem frescos. Por último, lembro que deve optar por sementes para germinar de origem biológica certificada, de modo a garantir a qualidade dos rebentos.

Há no mercado várias publicações onde poderá encontrar informações mais detalhadas sobre o processo da germinação, sobre o tipo de sementes e as suas propriedades, sobre os diversos tipos de germinadores que pode utilizar e até receitas.

Experimente, use a imaginação e alimente-se de forma mais saudável!

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