• Ana Carina Nunes

Alimentação macrobiótica


Ontem foi um dia de ir aprender mais. Fui fazer um workshop de alimentação macrobiótica dado pela minha querida amiga evagoodlife ( vejam e subscrevam ao canal dela no youtube aqui ). Foi de facto um final de manha e inicio de tarde muito bem passado com direito a degustação dos pratos que fizemos. E fiquei de facto com mais vontade de começar a seguir mais a séria este tipo de alimentação.

Mas afinal o que é a macrobiótica?

A macrobiótica é um regime alimentar e de vida baseado nas ideias do Budismo. Baseada em premissas pseudocientíficas, é muito utilizada por pessoas com cancro ou outras problemas e intolerâncias alimentares. O estilo de vida macrobiótico preconiza a plena vida, implementando o velho ditado "uma mente sã num corpo são". O japonês George Ohsawa (1893-1966) é o principal responsável pela divulgação dessa dieta no ocidente. Considera-se que o alimento principal para os seres humanos são os cereais integrais, comidos cozidos, assados, tostados, germinados, enfim, em inúmeras formas. Como complemento aos cereais integrais na dieta macrobiótica, são consumidos legumes e verduras frescas. Além disso é conhecida como o "Yin e Yang" (energias opostas que se equilibram) da alimentação, a dieta macrobiótica tornou-se um estilo de vida, baseando-se em uma harmonia com a natureza para promover saúde, longevidade e uma alimentação equilibrada para o organismo. Alimentos que incluam açúcar branco, mel, cafeína e álcool, por exemplo, são considerados extremamente "yin". Por outro lado, alimentos ricos em proteínas de origem animal, como carne vermelha, frango, atum e marisco são yang. Nesse tipo de dieta trabalha-se para eliminar esses alimentos "yin yang" e ir alcançando os níveis até chegar ao consumo apenas de cereais. É através destes princípios que, por exemplo, compreendemos o desejo de comer doces/açúcar (yin) após o consumo excessivo de carne (yang). Esta teoria, que privilegia a regra da harmonia tradicionalmente associada a este regime, pressupõe a ideia de que todos os fenómenos, alimentos incluídos, têm qualidades energéticas, metafísicas, e de que a harmonia relativa é conseguida quando equilibramos estes dois polos, yin e yang, nas nossas vidas.

Alimentos neutros, ou seja, com um bom equilíbrio yin/yang:

  • Cereais integrais (arroz, aveia, cevada, milho, centeio, trigo, trigo sarraceno, painço, etc.)

  • Sementes (de gergelim ou sésamo, de girassol, de abóbora, linhaça, etc.)

  • Legumes

Alimentos yin:

  • Álcool

  • açúcar

  • Mel

  • Café

  • Chá

  • Ervas aromáticas e especiarias

  • Óleo, azeite, gorduras sólidas e vinagre

  • Sumos de legumes e de frutas frescas

Existe ainda um grupo de alimentos que, apesar de yin, não o são de forma tão marcada, quanto os anteriores. São por isso chamados de alimentos yin intermédios, e situam-se entre os alimentos yin e os alimentos neutros:

  • Fruta fresca

  • Frutos secos

  • Algas

  • Cogumelos

  • Legumes de folha verde

  • Leguminosas (feijões, incluindo a soja, ervilhas, lentilhas)

  • Iogurte

  • Kefir

Alimentos yang:

  • Carnes vermelhas

  • Caça

  • Ovos

  • Queijos curados

  • Sal

  • Miso e tamari

Alimentos que se situam entre os predominantemente yang e os neutros são os alimentos yang intermédios:

  • Carnes brancas

  • Pescado (peixe, crustáceos, moluscos)

  • Queijos pouco curados (frescos)

  • Leite e natas

Para além do pressuposto do yin e yang, a dieta macrobiótica, que pode e deve ser adaptada às necessidades de cada um, segue determinados princípios, nomeadamente a evolução biológica, a tradição, a localização geográfica, a estação do ano, a ecologia, a idade, o sexo, o estilo de vida e a saúde do indivíduo. Assim, por exemplo, segundo esta teoria, devemos dar primazia aos alimentos cultivados no clima em que vivemos e preferir alimentos que sejam típicos da estação do ano em que nos encontramos.

Também a confeção envolve regras, assim como se defende que o próprio estado de espírito de quem prepara a refeição a pode influenciar. Por outro lado, a dieta macrobiótica encara a mastigação lenta e eficaz como uma peça essencial, podendo, nomeadamente melhorar a digestão, conceder calma e diminuir o desejo por doces. Paralelamente, embora no regime macrobiótico não existam alimentos proibidos, o consumo de carnes, ovos, laticínios, açúcar, vegetais e frutos tropicais, café, chá preto, alimentos refinados e sujeitos a transformações químicas é desaconselhado. Madonna e Gwyneth Paltrow são apenas duas das muitas celebridades adeptas deste tipo de alimentação.

Alimentação macrobiótica padrão:

  • 50 a 60% da alimentação diária devem consistir de cereais integrais

  • Peixe, preferívelmente de carne branca

  • Sopa deve ser consumida 1 a 2 vezes por dia

  • 25 a 35% incluem os mais diversos vegetais crus ou pouco cozidos

  • Sementes, oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas)

  • 10 a 15% da alimentação consistem de leguminosas, derivados das leguminosas e algas

Ao aderir a uma dieta macrobiótica é suposto evoluir-se ao longo de 7 níveis. Os primeiros níveis para um principiante consistem, basicamente, em eliminar os alimentos yin e yang e manter um consumo preferencial de alimentos neutros e intermédios. Gradualmente vão-se eliminando também os alimentos intermédios até alcançar o nível 7, que consiste em comer apenas arroz integral (definido como o alimento perfeito). Este extremo da macrobiótica é raramente conseguido, e pelas deficiências nutricionais que apresenta (pobre em calorias totais, proteínas, gorduras, vitamina B12, vitamina D, ferro) não deve ser incentivado. Várias mortes foram causadas por esta forma radical da macrobiótica.

Do ponto de vista nutricional a dieta macrobiótica, nos seus princípios básicos e em níveis pouco avançados, apresenta benefícios inegáveis para a saúde. Por ser pobre em calorias e gorduras saturadas e rica em fibras pode ajudar a reduzir o risco de obesidade, colesterol elevado, hipertensão arterial, diabetes, prisão de ventre e, provavelmente, alguns tipos de cancro.

Para quem quer realmente uma vida mais saudável, poderá ser mais fácil mudar aos poucos. Ir fazendo o caminho em direção a uma vida mais saudável e plena, sem querer chegar à meta antes de percorrer o caminho. Uma mudança progressiva poderá ser muito mais fácil.

Dá que pensar certo?

#macrobiotica #vegan

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