• Ana Carina Nunes

Terapia da Floresta ou "Shinrin-yoku"


Com a correria do dia-a-dia, o stress no trabalho, muitas vezes não paramos para desacelerar. Temos imensos inputs (telemóveis a tocar, trânsito, rotinas, compromissos, etc..), geralmente com o uso da tecnologia, estão em mode multi-tarefa. Levamos ritmos de vida vertiginosos, e isto sobrecarga o sistema nervoso com a consequência do stress crónico.O corpo reage a esta agressão adormecendo os sentidos. Isto leva a graves problemas de saúde que muitas vezes só se resolvem com terapia psicológica.

Mas devo dizer-lhe que para fazer terapia não é preciso passar pelo divã de um consultório. A receita é simples: um passeio pela floresta. Uma comunicação direta com a natureza, conectando-se através dos cinco sentidos. Ouvir o movimento das folhas, apreciar as suas tonalidades, tocar nas árvores e nas pedras, respirar profundamente e evitar qualquer tipo de distração alheia ao próprio ambiente, passear entre as árvores com os cinco sentidos bem despertos pode ser mesmo o melhor método anti-stress.

A “Terapia da Natureza” é uma prática que promete melhorar a nossa saúde física e mental através do contacto com a natureza. Em japonês chama-se shinrin-yoku – significa à letra «banhos de floresta» – e é como se apanhássemos banhos de sol ou de mar mas no meio do verde, a sentir a terra a estalar sob os pés enquanto cheiramos o musgo, as folhas, a humidade e tudo o mais que nos acalma de formas que nenhum ansiolítico é capaz. Todos nós sabemos o quanto nos sentimos bem na Natureza. E já o sabemos há séculos. Os sons da floresta, o aroma das árvores, a luz do sol através das folhas, a frescura, o ar puro – estas coisas dão-nos uma enorme sensação de bem-estar. Reduzem a nossa ansiedade, ajudam-nos a relaxar e a pensar melhor. Andar na Natureza pode deixar-nos como novos, devolver-nos energia e vitalidade, rejuvenescer-nos.

Foi Tomohide Akiyama, diretor da Agência Florestal Japonesa, quem primeiro usou a expressão em 1982, referindo-se ao ato de caminhar lentamente pela floresta durante duas ou mais horas, sem correrias, sem telemóveis, relaxando a cada inspiração como se o corpo recuperasse finalmente da sobrecarga dos dias. E não: o shinrin-yoku não cura doenças. Mas previne-as – e da forma mais natural possível.

De acordo com Amos Clifford, fundador e diretor da Associação da Natureza e Terapia da Floresta, em entrevista ao jornal “Today”, o contato direto com a natureza pode acabar com o stress, a insónia, a tensão e até aliviar a dor crónica.

Dr. David Strayer, professor de psicologia na Universidade de Utah, garante que entrar numa floresta muda a maneira como o cérebro funciona, reduzindo os níveis de stress e aumentando a sensação de bem-estar.

Um estudo, publicado na revista científica NCBI, mostra que o simples facto de observar a natureza durante 20 minutos reduz os níveis de cortisol salivar em 13,4%, além de reduzir a pressão arterial e a frequência cardíaca, desencadeando um aumento significativo na atividade de células que são produzidas pelo sistema imunológico, evitando infeções e combatendo o cancro. O estudo prova que, se passarmos 3 dias na floresta, as células do sistema imunológico aumentam no nosso organismo até 50%, com efeitos benéficos durante cerca de 30 dias.

Os defensores desta terapia garantem também que andar descalço pode funcionar como um potente tratamento e uma possível solução para uma variedade de doenças, crónicas e degenerativas, devido à carga de eletrões presentes na terra, que funcionam como poderosos antioxidantes, destruindo os radicais livres. Ou seja, parece não faltarem razões, científicas e não só, para acreditar no poder transformador da natureza!

Vivemos em stress constante, ansiosos, desequilibrados, e isso traduz-se numa perda da resistência natural à doença que o shinrin-yoku atenua, ao evitar que o corpo entre automaticamente em modo de sobrevivência em resposta ao stress (o famoso lutar ou fugir que partilhamos com os outros animais, com a diferença de que eles o desligam passado o perigo). E não é só o stress agudo que desencadeia esta reacção do sistema nervoso simpático: emoções complexas e excesso de tecnologia têm também tudo a ganhar com o descanso que a floresta proporciona.

Vá lá, experimente passar algumas horas ou mesmo alguns minutos cercado por árvores, plantas, sinta o cheiro da terra, ouça os pássaros e… reconecte-se… consigo!

Eu tenho a sorte de ter mesmo aqui perto o grande parque da paz e hoje foi dia e ir fazer a minha terapia da floresta também

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