• Ana Carina Nunes

Treinar o corpo e alimentar a alma? Wanderlust_108_Lisboa - a minha participação neste festival


A linha sucinta e descritiva do Wanderlust 108 diz tudo: “o que ver e fazer dentro e fora do tapete”. É um dia para experimentar todos os exercícios e não só, desta esperançosa-nova-vaga-contemporânea que todos os saudáveis de agora perseguem Pensado para todas as idades e gostos, o Wanderlust 108 é um evento que promove, acima de tudo, a atividade física e o contacto com a natureza, prometendo um dia repleto de boas energias. O evento é promovido pela Wanderlust, a produtora dos maiores eventos do género no mundo e tem a adidas como parceira. E não é à toa que já percorre mais de 60 cidades em 17 países e 5 continentes. Lisboa é uma delas e este ano recebi como prenda de aniversário o ingresso neste festival que adorei :)

Wanderlust (do alemão wandern: 'caminhar', 'vagar' + Lust : 'desejo'; em português, "desejo de viajar") é um termo que descreve um forte desejo de viajar, de explorar o mundo, de ir a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo. A um nível mais profundo, pode ser entendido como uma busca de natureza filosófica ou religiosa, que impele o indivíduo como uma locomotiva que não para até que tenha alcançado sua "estação", que pode ser um lugar geográfico, uma descoberta filosófica ou uma iluminação religiosa.

Este festival, cuja missão é ajudar as pessoas a encontrarem o seu caminho, cultivando o melhor de cada um e promovendo o wellness individual bem como uma mudança social positiva através da construção de uma comunidade em torno da prática do mindfulness, procurou ainda traçar uma estratégia para a neutralização das emissões de carbono do evento, monitorizar e compensar as mesmas, tendo recebido o certificado Carbono Zero.

As atividades começaram com a manhã ainda fresca, com uma aula de yoga com a saudação ao sol e o aquecimento para a corrida de 5 kilómetros. Seguiu-se uma mega aula de yoga, orientada por Teresa Viana, sempre com o cuidado de detalhar os benefícios aplicados a quem tem por hábito a prática da corrida.Foi sem dúvida uma aula grande tem uma potência diferente, para além de ser aberta a todos, praticantes de diferentes tipos de ioga e iniciantes, o que foi sem dúvida muito especial.

Com as temperaturas a subirem de forma mais evidente, a meditação acabou por ser adaptada a uma experiência respiratória, de contacto interior, mas sem prolongar demasiado a exposição ao sol devido à fraca organização e falta de sombras do espaço. Seguiu-se um almoço patrocinado pelo Celeiro que era uma bowl com 2 bases diferentes e possibilidade de incluir 5 ingredientes + 5 variedades de sumos.

Além do triatlo, acima descrito que foi o ponto chave deste festival, o dia foi ainda preenchido com diversas atividades para continuar a fomentar a camaradagem e o lifestyle saudável dos wanderlusters: aulas de aerial yoga, acro-yoga, hoop dance e meditação, assistir a talks ou participar em workshops de óleos essenciais, alimentação saudável, entre outros e levantar brindes que estavam a ser oferecidos nas diversas tendas que componham o parque em frente ao Tejo e ao lado do MAAT.

A missão deste evento é ajudá-lo a encontrar o seu verdadeiro norte – para cultivar o seu melhor “eu”. E foi sem dúvida muito importante ouvir alguns testemunhos nas talks que me despertou ainda mais para os benefícios da meditação.

O que é afinal a meditação?

Hoje em dia cada vez mais se reconhece o valor da meditação, não só em termos de saúde física e mental, mas também como forma de encontrar paz interior.

A palavra meditar vem do latim ”meditatum”, ou seja, ponderar ou cultivar. A meditação pode ser entendida como um conjunto de práticas de integração mente-corpo, de treino de regulação emocional e atencional desenvolvido para diversos fins, incluindo o cultivo do bem-estar e equilíbrio emocional. Trata-se de treinar a mente, trabalhando os “maus” hábitos mentais e desenvolver e cultivar qualidades positivas que já estão presentes em nós.

A meditação tem vindo a ser praticada há, pelo menos, três mil anos. As suas raízes remontam até ao hinduísmo e diferentes formas de meditação podem ser encontradas em todas as grandes tradições religiosas do mundo.

No entanto, cada vez mais a meditação é uma experiência independente de qualquer crença religiosa. Existem várias abordagens e tradições no que respeita à meditação.

Embora a transformação pessoal seja a meta, o seu alcance varia. Alguns consideram essa transformação como um veículo para unir-se com um poder supremo, enquanto que outros procuram benefícios físicos e mentais. Os Budistas, por exemplo, encaram a meditação como uma forma de acabar com o sofrimento neste mundo, ao permitir conhecer, perceber e experienciar o mundo como ele inerentemente é.

Enquanto que os estilos, as fontes e as ideologias subjacentes à meditação diferem, o seu objectivo tem sido mais ou menos uniforme: a transformação pessoal . De particular interesse, será relevante questionar que contribuição pode, actualmente, a meditação oferecer às sociedades modernas e altamente tecnologizadas.

PORQUÊ MEDITAR

O objectivo de meditar será ver as coisas como elas são, para ter a noção do mundo como ele é. A meditação é uma forma de nos conectarmos à nossa própria consciência mais elevada. Este é o ‘Self’ real que pode observar os pensamentos, as emoções e o corpo físico. Ensina-nos que as nossas acções e reacções são apenas isso, nada mais. Preconceitos e pressupostos não precisam de ser o centro, nem são os parâmetros finais de uma situação. Podemos tornar-nos mais flexíveis, suspendendo as suposições. A meditação regular trará momentos de consciência plena, sem as limitações dos preconceitos. É um método que permite uma experiência única: a corrente de pensamento acalma, a consciência torna-se clara, vazia, a atenção plena é a cada momento, no presente. Trata-se de uma visão optimista sobre o potencial humano, uma vez que todas as pessoas têm a capacidade latente de atingirem este estado.

A meditação é um momento para nos sentarmos em silêncio, aparentemente sem fazer nada. Nas culturas ocidentais, esta perspectiva pode ser considerada como um desperdício de tempo. Como pode qualquer coisa significativa ser realizado por não fazer nada? Ou está realmente a não fazer-se nada? As respostas a essas perguntas exigem uma mudança de perspectiva. Quando estivermos dispostos a experimentar esta mudança abre-se um novo mundo de possibilidades. Quando meditamos acabamos por diminuir os pensamentos habituais e actividades que preenchem as nossas vidas. À medida que aprendemos a acalmar os nossos pensamentos, começamos a perceber claramente uma nova perspectiva. Entramos em contacto com uma parte mais profunda de nós mesmos. Todos somos dotados de uma mente que é clara, pura e profunda. Isto é o que os mestres Budistas chamam a verdadeira natureza. Ela já está aí, dentro de um de nós, mas geralmente não percebemos porque estamos sempre tão ocupados, sendo impelidos e levados pelos nossos pensamentos e desejos.

A meditação é de facto uma maneira simples de educarmos a nossa mente para uma forma de pensar mais estável, tranquila, serena, clarividente e pacífica. Ao meditar, deixamos para trás aquelas reações “animalescas” que o stress gera em nós. Pura e simplesmente passamos a pensar com qualidade, uma qualidade que se vai verificar ao nível do comportamento e da linguagem. Tal como diz Richard Davidson, um neurocientista que estuda os benefícios da meditação desde 1992 “a maioria das pessoas concorda que o exercício físico é bom para a saúde, com os exercícios mentais é igual. Se levássemos o treino da mente tão a sério quanto o exercício físico, poderíamos treinar o nosso cérebro para transformar a nossa felicidade.” Quanto maior a prática de meditação, maior a eficácia, notamos mudanças ao nível do pensamento, das emoções, da linguagem e por consequência ao nível do comportamento e dos resultados que temos na nossa vida.

No fundo, habituamos o cérebro a um novo registo, criando uma nova assinatura mental que cria novos estímulos – estes por sua vez, mais equilibrados e pacíficos. É também positivo, largar a crença de que meditar é deixar de pensar e que por isso não consegue praticar, durante a prática de meditação a pessoa não deixa de pensar, a atividade cerebral está lá, contudo é uma atividade que gera emoções positivas, tranquilidade, foco, concentração e tranquilidade.

Estou a tentar aumentar todos os dias o meu momento de meditação antes de dormir, já que sou de facto uma pessoa muito acelarada e sinto que preciso deste "desacelarar" para ter uma noite mais tranquila e um sono mais reparador.

Num próximo post irei explicar como podemos fazer alguns exercícios e /ou usar algumas ferramentas que nos podem ajudar a levar esta prática com mais regularidade! Fiquem atentas :)

#wanderlust #meditação

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