• Ana Carina Nunes

Teoria do Achismo


No nosso dia-a-dia, estamos cheios de julgar as pessoas e os factos. É tão simples, e muitas vezes prático, dar a nossa versão ou “achismo” dos factos, que até passamos a ver aquilo que pensamos como uma verdade suprema, absoluta e digna de tudo e de qualquer coisa.

É fácil saber quem entende um assunto. Quem sabe, é categórico em falar: "É isto" ou "É assim". Quem acha que sabe, fica no achismo: "Eu acho" ou "Eu penso que...". Infelizmente a grande maoria das pessoas tem a tendência para afirmar “Não é assim, nem assado". Oscilam entre o "acho", de quem não (se) decide e, muitas vezes, nem tem certezas do que diz.

Não há absolutamente nada de errado com o achismo quando queremos saber a opinião de alguém acerca de um tema ou estamos a desenvolver alguma ideia. O problema é quando o achismo toma o lugar da ciência. O "eu acho" assume status de que "é assim". Há pessoas que até mesmo se negam a aceitar os dados obtidos por cientistas para sustentar as suas próprias opiniões e ideias.

Mas daqui pode gerar-se um dos problemas mais sérios do comportamento humano, que trazem consequências terríveis, geralmente prejudicando outras pessoas que terminam como vítimas de gigantescas injustiças, muitas vezes sem o menor direito de defesa. O julgamento de pessoas com base em “achismos”. Isto quer dizer que a pessoa acha alguma coisa a respeito da outra, coloca aquele seu achismo como sendo verdade e daí julga, condena, tortura, massacra, sem procurar ter o mínimo de responsabilidade, humildade e bom senso em fazer uma análise mais profunda questionando se aquela sua posição é produto de uma comprovação criteriosa ou é simplesmente resultado de um mero achismo.

A comunicação hoje é tão instantânea, com o crescimento do Twitter e do Facebook, por exemplo, onde cada pessoa descobre que tem uma forma de ser formador de opinião tão rápida e potente, pondo nomeadamente em causa anos de pesquisa científica. Assim, o “Acho que” demonstra mais do que uma opinião. É mais do que um som vocálico composto. Possui um significado intrínseco. É um símbolo da moderna linguagem, é uma forma de dizer: “Não sei quem, me disse que não sei o quê, custa não sei quanto, não sei onde.”

Tudo é uma questão de pressuposição. O achismo tornou-se o bode expiatório do analista especializado moderno [eu como analista vos digo que demostrar factos reais e plaúsiveis dá muito trabalho!!!]. Qualquer um pode ser um especialista em "Achologia", qualquer um pode fazer análises sobre qualquer assunto, enfim... qualquer um pode se tornar verdadeiro mestre do achismo. Basta para isto ter opinião sobre o que quer comentar, não estar certo se esta opinião tem fundamento ou não, e sair anunciando aos quatro ventos: Eu acho!!!

Resolvi tocar neste assunto porque vejo à minha volta muitas pessoas, que se deixam envolver por este achismo, e nem sempre percebem isso. Parece que é uma febre, uma moda, um hábito [muito mau hábito aliás] este de pensar em factos inexatos e equivocados, achar que coisas que acontecem não são um incrível equívoco , além de perderm o sono e óptimas oportunidades de dar boas gargalhadas por preocupações com “tempestades” que foram anunciadas para daqui uma semana, pessoas que nos vão fazer "um não sei quê" e que podem se desviar pelo caminho.

Quando eu afirmo que as pessoas que tiram conclusões sobre outras, baseadas em achismos, e tomam iniciativas incorrectas, eu não quis dizer, em momento algum, que as pessoas não devam achar nada sobre nada e muito menos que não devam ter opinião. Não tem nada uma coisa a ver com outra.

Achar é um direito que todos nós temos! Ter opinião, também, é um direito sagrado. Aliás, todos temos o direito de exteriorizar a nossa opinião, assim como eu estou manifestando a minha aqui. Ninguém tem é o direito de cercear a opinião de ninguém, não podemos admitir regimes ditatoriais que nos impõem o calar a boca.

O que é preciso ficar claro, é que devemos saber separar o que é opinião do que é verdade! Da mesma forma que devemos separar o que é achismo do que é verdade! Estarei eu errada nessa afirmação?

Senão vejamos o seguinte exemplo: Se eu disser "O azul é uma cor", estou a dizer uma verdade. De facto o azul é uma cor, ninguém tem dúvidas quanto a isto e ninguém vai ter como discordar desta afirmação. No entanto, se eu afirmar: "O azul é a mais bela das cores" e tenta impor isto como sendo uma verdade, aí a coisa muda. Não adianta dizer que isto é a uma verdade, porque não é. Isto é a minha opinião! Eu simplesmente acho que o azul é a mais bela das cores. Estou no meu direito? Sim, estou, no direito de opinar e achar o que mais me convêm.

O grande problema, está exatamente no facto de as pessoas quererem impor as suas opiniões pessoais e os seus achismos como sendo verdades e julgarem as outras com base nisso. Aí é que está a questão!

Quando uma pessoa fala mal de outra e é questionada por um interlocutor corajoso, com uma pergunta do tipo "tu conheces bem, essa pessoa da qual estás a falar?" sempre vem com aquele argumento que é um dos mais condenáveis que existem: "Eu tenho informações sobre ela, através de fontes fidedignas". Essas "fontes fidedignas" podem ser uma forma desonesta de tentar dar credibilidade à sua irresponsabilidade e o seu senso de injustiça para essa atitude, ao tirar conclusões sobre outro(s) com base num mero achismo.

Não existe fonte fidedigna para falar mal de ninguém. Quem espalha conceitos venenosos sobre os outros, na verdade, é possuidor de moral comprometida. Assine cheques em branco e entregue a essas pessoas que qualifica como "fontes fidedignas" e que diz tanto confiar e veja o que acontecerá!

Gosto sempre de dizer que não sou infalível, que tenho quaquilhões de defeitos e fraquezas mas, sinceramente falando, procuro combater com unhas e dentes estes mosqueteiros do mal, as maiores incoerências e as negatividades que se cometem no dia a dia.

A minha recomendação para quem quer manter-se são e que não quer perder-se em posturas (in)verossímeis: sejam campeões da ilógica! Ou como costumo dizer… Pois, ninguém é visto nem achado nestas coisas!

E, defenitivamente, não quero nem tenho tempo para ser adepta de teoria(s) do achismo...prefiro cultivar certezas e verdades!!!

#achismo

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