• Ana Carina Nunes

Rotinas x Hábitos


Para a maioria das pessoas, as rotinas fazem parte do dia-a-dia e já são realizadas de uma forma quase automática. As rotinas ajudam-nos a simplificar de tal forma a nossa vida, que depois de postas em prática será difícil depois viver sem elas.

No fundo, ter uma rotina é aceitar restringir as nossas escolhas em determinadas áreas para podermos aplicar o nosso poder decisório noutras. A nossa capacidade de fazer escolhas é um manancial diário limitado (é cansativo estar constantemente a escolher entre tudo e mais alguma coisa) e, como tal, mais vale aplicá-lo em decisões que realmente importam.

Para que seja mais fácil, e até as rotinas se tornarem automáticas, a melhor solução é fazer uma lista de tarefas e uma estimativa do tempo que estas demorarão a fazer, para melhor gerir o seu tempo. Afinal de contas, tempo é dinheiro!

As rotinas diárias e semanais são fundamentais, para que o dia-a-dia corra da melhor maneira. Criar rotinas não é nada mais do que planear com antecedência, com vista a que nada fique esquecido, para que a produtividade seja maior e que tudo seja feito de uma maneira automática sem que haja perda de tempo.

As rotinas diárias são para mim as mais importantes, porque as repetimos todos os dias e todos os dias devem ser feitas. Definem como irá ser o dia, portanto há que se organizar! As rotinas semanais são também muito importantes e complementam as diárias, por isso não se esqueça de fazer uma lista com as suas rotinas semanais, nomeadamente ir às compras, planear o menu semanal, planear a agenda da semana, verificar o que não foi feito durante essa semana, e se não ficou feito passar essa tarefa / compromisso para a semana seguinte, etc em suma o que é feito semanalmente.

Mas a rotina é normalmente associada à acomodação, estagnação, resignação e ao cinzentismo dos dias vividos em modo "copy-paste". E, como tal, ganhou má fama. Ficamos apreensivos só de ouvir a palavra: rotina. Mas não tem de ser necessariamente assim. Na verdade, a rotina pode desempenhar um papel importante e positivo nas nossas vidas. Considerando que todo ser vivo tende a economizar energia, a rotina acaba se tornando a forma mais fácil para que isso aconteça. Passamos a fazer sempre a mesma coisa pelo conforto que isso nos traz. Qualquer mudança, seja de comportamento ou de actividade no dia-a-dia, envolve lançarmo-nos em território desconhecido e isso só acontece quando a recompensa advinda da mudança da rotina é maior que a da sua manutenção.

A partir deste conceito, entendemos que a transformação das rotinas diárias em hábitos pode ser a diferença, por exemplo entre ter uma vida saudável ou uma vida metódica e stressante. A nossa rotina é: temos que comer, dormir e ter um hobbie. Já os nossos hábitos vão diferenciar o que comemos, quando comemos e porque que estamos a comer determinado alimento ou como dormimos, quando dormimos e porque dormimos "x" horas todos os dias.

Por outro lado, demasiada rotina impede-nos de explorar o novo, o potencial criativo do desconhecido e inibe o crescimento pessoal. Por isso é bom ter uma rotina à qual podemos fugir de vez em quando, sair e respirar ar fresco outra vez. O fato de nos questionarmos quanto a isso já demonstra nosso desejo de mudar e melhorar a qualidade de vida.

Como se forma um hábito?

Esta é uma pergunta interessante e que faz com que tenhamos de recuar até ao tempo em que nos lembramos de ter começado uma determinada ação com a frequência necessária para que esta entrasse na nossa rotina.

Olhemos para um hábito “primário”, como beber água. O que o leva a fazê-lo? Tem uma necessidade básica, da qual depende a tua sobrevivência, que é a sede. O seu corpo pede a supressão dessa necessidade, ou, em casos extremos, entrará em colapso. Para impedir que isso aconteça, tem enraizada em si a premência de ingerir líquidos para manter a tua hidratação. O teu corpo envia-te sinais – boca seca, dores de cabeça, ou em casos um pouco mais preocupantes, rigidez nas articulações, cãibras, dormências ou perdas de força muscular – e sabe como reagir a estas sensações, certo?

Assim se formam os hábitos, dos mais primários, aos (aparentemente) mais fúteis, e até mesmo aos chamados “maus hábitos”: sentimos uma necessidade e colmatamo-la com uma determinada ação. Se o sentimento for de satisfação, quando uma situação semelhante se voltar a apresentar saberemos como agir. E eis que nasce o hábito.

O que fazes assim que te levantas de manhã? Ligas o telemóvel? Vais à casa de banho? Abres o frigorífico? Qual é o primeiro desejo que sentes a premência de satisfazer? Como é que isso se tornou parte de ti?

Quando entramos no campo do estudo das rotinas, ouvimos falar do “circuito dos hábitos”, descobrimos como estes se formam e aprendemos que o que despoleta uma determinada prática é uma sugestão, ou deixa.

Seguindo essa sugestão, efetuamos uma determinada ação para obtermos a nossa recompensa. Por exemplo: são quatro da tarde, o cansaço do dia começa a instalar-se, o almoço já lá vai e apetece-te algo doce para “renovar” as tuas forças. Como satisfazer essa necessidade? Onde está o doce mais próximo? Na despensa, no café da esquina, na gaveta da tua secretária?

A deixa: são quatro da tarde e este dia está a ser difícil. O hábito: ingerir algo doce. E a recompensa? O teu corpo fica satisfeito e a tua energia renova-se, ainda que só por momentos. Pois é, por este altura, o teu cérebro já sabe que despoletar a deixa do “algo doce” levará à libertação do torpor que parecias estar a sentir e que, depois de cumprido o circuito do hábito e satisfeito o desejo, haverá a recompensa do prazer. E isso é poderosíssimo na criação de hábitos e rotinas.

Todos temos bons e maus hábitos. Todos temos hábitos que gostávamos de conseguir “perder”. Tenho uma má notícia: de acordo com os especialistas, os maus hábitos não se perdem. A parte boa é que, com o estímulo certo, é possível substituí-los por outros mais positivos. Para muitos fumadores, a título de exemplo, a solução para deixar de fumar passa por substituir o cigarro por pastilhas elásticas, ou algo semelhante. O corpo ansiava por algo que as fizesse relaxar, que ajudasse a diminuir a tensão. A resposta antiga era puxar de um cigarro e deixar a nicotina fazer o seu trabalho. Quando tomaram a decisão de modificar esse hábito, de cada vez que o cérebro “sugeria” uma pausa, optavam por mascar uma pastilha, observar o seu comportamento e deixar o seu organismo atingir o estado desejado de uma forma que não envolvesse o antigo hábito.

Modificar hábitos e rotinas pode ser difícil e moroso, sendo por vezes um percurso cheio de tentativas e erros. Há que observar de perto as nossas sensações, reações e a forma como o nosso cérebro se comporta perante a privação da recompensa “adorada”. Haverá, com toda a certeza, rotinas mais fáceis de modificar do que outras. Tudo dependerá da importância que aquela recompensa tem para nós. No entanto, não é impossível. Tenho a certeza de que na sua vida já conseguiu alterar hábitos que não lhe traziam nada de positivo: Roer as unhas desde a infância: O que o levou a parar? A sua vida era absolutamente sedentária e passou a praticar desporto com regularidade: o que despoletou essa modificação?

A capacidade de mudar, de alterar o nosso curso e o nosso destino é algo de absolutamente fascinante no ser humano. Quer lute pela criação de hábitos de bem-estar, como fazer exercício, ou modificar a sua alimentação, ou procura dde energia para acabar a sua obra prima (seja ela um livro, um quadro ou uma escultura), ou busque forças para começar o teu próprio negócio, saiba que são os hábitos e as rotinas que ditarão tanto o seu sucesso, como o seu fracasso. O segredo está em criar as condições necessárias para a formação do hábito. Tudo é possível, desde que os hábitos certos sejam estabelecidos!

Mas então como criar Hábitos Saudáveis?

Viver a vida de uma forma regrada, pratica e simples é essencial para sermos mais felizes. Ao criar uma rotina, segundo os especialistas, para que esta passe a tornar-se como um novo hábito, terá que repetir pelo menos por 21 dias consecutivos sem interrupção.

Começando aos poucos e introduzindo um hábito de cada vez, vamo-nos regrar, e controlar os nossos horários de alimentação, sono e actividade física. Não importa quantas horas de sono tenha, desde que durma todos os dias no mesmo horário. Não importa o que está comendo, apenas coma todos os dias nos mesmos horários. Não importa qual a actividade física ou quanto tempo a faz, vamos criar o habito de a fazer todos os dias no mesmo horário.

Lembrando que estamos apenas a iniciar um processo de aprendizagem e vamos introduzir hábitos por etapas, escolha um hábito que quer mudar e comece aos poucos, não mude tudo de uma vez, pois será difícil e pode frustrar-se.

Quando passar pelos 21 dias, acrescente algo novo neste habito e faça-o por mais 21 dias, assim subsequente até que ele se torne em algo satisfatório e prazeroso. A metodologia dos 21 dias é proveniente do antigo Oriente e chega até nós nos dias de hoje como uma forma de reprogramação mental. Trata-se de uma maneira muito simples e principalmente elegante de transformar um comportamento que o limita num novo e expansivo comportamento, através da manutenção do mínimo de foco durante 21 dias seguidos. Para que essa forma de Reprogramação Mental funcione é preciso apenas comprometimento e disciplina. Sim, pode servir para qualquer mudança pois todas as áreas da nossa vida, estão envolvidas com o cognitivo ou seja com uma forma de pensar, que nos leva a uma forma de sentir e consequentemente a um tipo de comportamento, mesmo quando não estamos cientes desse caminho.

Quando alguma acção se repete ao longo do tempo, o nosso cérebro tem a capacidade de replicar essa mesma acção de forma quase automática. Os neurocientistas garantem que o nosso cérebro trabalha de duas formas distintas: inconsciente e consciente. Fazer coisas de forma inconsciente, é possível sim. O chamado “modo automático” são aquelas acções que fazemos sem prestar atenção total em cada movimento. Já pensou como tudo é tão automatizado, quando conduz por exemplo? Obviamente que numa primeira vez tudo é feito de forma consciente, mas com a repetição dos comportamentos o nosso cérebro tem a capacidade de tornar a acção numa acção realizada de forma inconsciente.

Mas atenção, não pense que pode criar uma hábito novo a cada 21 dias, isso iria tornar-lo numa pessoa robótica, que não pensa antes de agir. Cuidado, com os pensamentos e comportamentos automáticos tiram-lhe a atenção do momento presente, e ficaria sem capacidade de se adaptar a novas situações. Por isso “reprograme” apenas aquilo que acha que não é de todo vantajoso para a tua vida.

Segundo a Física Quântica, recebemos todos os dias uma quantidade infinita de maneiras de fazer as coisas e obter novos e melhores resultados, porém, fazemos na maioria das vezes todos os dias as coisas da mesma forma e depois sofremos numa busca incessante por resultados diferentes. Sabia que mudar 2% do que acontece dentro do seu cérebro que é um órgão neutro e receptivo, pode mudar em 200% os seus resultados? Se algo não vai bem na sua vida e se focar em começar um novo desafio, com data para começar e terminar pode ter certeza que muitos resultados virão.

Então como Criar Um Novo Hábito?

Todos nós queremos simplificar a nossa vida, e é normal que assim seja, mas para isso tem que muda-la criando regras, horários e rotinas, ser disciplinada e ter objectivos . Concorda comigo?

Se pretende desenvolver vários novos hábitos, tente um ou, no máximo, dois de cada vez, caso contrário poderá sobrecarregar-se e frustrar-se no seu objetivo. Combinado?

Aqui ficam alguma dicas para tornar este processo mais fácil:

1) Comprometa-se: Defina qual é novo hábito que quer desenvolver e sustente-o firmemente por 21 dias consecutivos.

2)Faça todos os dias: Constância é um fator vital para estabelecer novos hábitos. A repetição constante ajuda a reforçar o hábito. Se praticar somente duas ou três vezes por semana, dificilmente conseguirá enraizar um novo hábito.

3) Não deixe a motivação o dominar: O excesso de motivação poderá fazer com que exagere e depois desista. Torne o seu hábito algo que seja fácil e não exagere ou o cansaço do esforço inicial irá desanima-lo e fazer com que desista rapidamente. Pense estrategicamente e concentre-se no resultado a médio/longo prazo.

4) Accione a "âncora": Uma âncora é uma espécie de ritual que ativa um pouco antes de praticar o hábito. Por exemplo, se pretende dormir mais cedo, faça isso sempre no mesmo horário, programando um lembrete no telemóvel para o efeito.

5) Preencha a necessidade eliminada: Se está a eliminar um hábito prejudicial, certifique-se de que o está a substituir satisfatoriamente, colocando algo de bom e positivo no lugar do hábito que está deixando. Se não for possível sempre, premei-se com algo bom ao fim de x dias de ter cumprido os seus melhores novos rituais!

6) Relembre o seu compromisso: Depois de uns dez dias é fácil esquecer-se da sua decisão. Vá marcando os 21 dias do novo hábito no seu calendário e coloque-o num sítio visível (porta do frigorífico por exemplo) para se relembrar várias vezes deste.

7) Remova as tentações: Provavelmente terá que (re)estruturar o seu ambiente habitual durante os primeiros dias, para que não caia na tentação de voltar ao velho hábito. Por exemplo, não tenha doces na dispensa em casa se esta a tentar diminuir o seu consumo. Deixe as tentações para os dias especiais ou de fesra em que não consiga mesmo evitar.

8) Use a técnica do “mas”: Muitos psicólogos e terapeutas utilizam uma óptima técnica chamada “mas”, para modificar maus padrões de pensamento. Quando começar a ser assaltado por maus pensamentos, use a palavra “mas” para interromper o fluxo negativo. Exemplo “Sou muito guloso, mas se eu trabalhar consistentemente esse problema, vou superá-lo.”

9) Tenha paciência: Não espere sucesso imediato. A construção de um novo hábito deve estar alicerçada em bases sólidas. Isto não é construído da noite para o dia. Alguns deslizes podem acontecer, porém a perseverança o fará retomar o caminho prontamente. Nunca entre no lema do "perdido por 100 perdido por 1000"! Se deslizar, reflicta o que o fez faze-lo e volte novamente à rotina sem culpas.

10) Associe-se a pessoas positivas: Despenda mais tempo com pessoas que já têm o hábito positivo que quer desenvolver. Espelhe-se nelas porque lhe darão motivação para continuar. O tipo de ambiente que frequenta vai influenciá-lo positiva ou negativamente no desenvolvimento de novos hábitos, porque nos tornamos naquilo com que convivemos por mais tempo.

11) Consciencialize-se: Saiba quais são os reais benefícios em promover o novo hábito e perceba os níveis de energia e de auto-estima que começam a fazer parte de si. Imagine-se antecipadamente na posse do novo hábito que quer ter e sinta a alegria em tê-lo incorporado na sua vida. Ao mesmo tempo, consciencialize-se das consequências em não adotar este novo hábito e o preço que terá de pagar por não tê-lo.

12) Tenha em mente seu objetivo de vida: Associe os seus hábitos aos seus objectivos de vida, àquilo que o motiva e para o qual nasceu. Não permita que hábitos fracos e nocivos se interponham na sua missão. Está aqui para vencer e dar exemplo aos outros. Faça dos hábitos saudáveis degraus que o alavanquem e o tornem eterno.

Mas para toda a regra existem excepções, e por isso não deixe que seus hábitos virem rotina extremista, pois caso isso aconteça irá logo querer quebrar-las.

Diga-me: que rotinas está a tentar estabelecer? E que hábitos gostava de ter, ou perder? Não sinta que se prende a algo mas abrace as rotinas positivas que o ajudam a ser melhor e mais saudável. E nos dias em que estiver mais desmotivado, lembre-se sempre: a persistência leva ao hábito!

Desejo de boas rotinas :)

#rotinas #hábitos

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