• Ana Carina Nunes

Fechado para Balanço


Tipicamente nesta semana, entre o Natal e o Ano Novo, tiro férias, o que infelizmente este ano não foi possível. É basicamente um momento de transição entre este ano que agora finda e o ano que ai vem. Por isso, já há alguns anos, realizo alguns “rituais de passagem” que me ajudam a começar o ano novo mais focada sobre os meus objectivos e fazer uma espécie de Balanço do ano corrente. Certamente já viram o aviso de "fechado para balanço" na vossa loja preferida. Normalmente fazem isto precisamente na última semana do ano, entre o Natal e Ano Novo, ou então na primeira semana de Janeiro. Os últimos dias de um ano são de facto o período ideal para a realização de retrospectivas e balanços, a fim de avaliar as perdas e os ganhos, os sucessos e os fracassos acumulados durante ano que se encerra e a partir desse levantamento iniciar o planeamento e a elaboração de metas para o ano seguinte.

Esta rotina é muito comum nas empresas, onde só se inicia um novo ano contabilístico com o balanço do anterior encerrado e sem pendências. O motivo de fazerem isto é muito simples: durante o ano, com o dia a dia das vendas, das encomendas, das entregas, não há como parar e examinar como andam as coisas com uma visão mais distante. O mundo gira rápido, tudo é para ontem.

Na nossa vida pessoal e familiar costuma acontecer a mesma coisa! Vamos vivendo um dia após o outro, sem nunca parar para verificar se o rumo que estamos seguindo é o que nos levará onde queremos chegar. Muitas vezes não paramos nem mesmo para pensar na questão mais relevante: onde queremos chegar? Há um ditado famoso entre os administradores das empresas que diz que "O que não é mensurável, não é tangível". Isso é válido tanto para as empresas quanto para nossa vida pessoal certo?

Vamos então fazer uma pequena pausa neste final de ano e avaliar o que temos feito, para onde estamos caminhando e, principalmente, onde queremos chegar.

É chegado pois o momento de rever o passado e acertar as contas , consigo mesmo e com o próximo. Às vezes "fechar para balanço", por um tempo, e rever as atitudes erradas, as escolhas inconsequentes e iniciar o ano novo transformado e livre dos traumas e do sentimento de culpa que atormenta e adoece, permite melhorar-nos. É preciso parar e avaliar o que se fez e o que se deixou de fazer, as coisas boas e as menos boas que aconteceram e então tomar as decisões corretas para evitar que os mesmos erros ou outros aconteçam novamente. Neste processo, talvez descubra que poderia ter feito mais do que fez, que poderia ter mais do que têm e que poderia ser mais do que é. Talvez a tão sonhada realização familiar, académica ou profissional ficou longe de se concretizar. Talvez a tão almejada felicidade bateu à sua porta, mas não entrou. Não se frustre por isso. A boa notícia é que o ano novo vai chegar e com ele as esperanças vão se renovar.

Eu sempre amei o Ano Novo. Sinto uma energia positiva que me impulsiona a recomeçar. E sei que não estou sozinha, parece que muita gente também está à procura uma certa dose de renovação. Na matemática encontramos quatro operações básicas que são fundamentais na realização de balanços financeiros. São elas: adição, subtração, multiplicação e divisão. Avalie e considere utilizar as mesmas operações para realizar o balanço da sua vida, para tal deixo as seguintes sugestões:

1) Adicione boas recordações ao seu dia-a-dia

Um bom balanço da vida começa quando valorizamos o que fizemos, o que temos e principalmente o que somos. Sente-se com seu cônjuge, filhos, pais ou irmãos para assistirem juntos a um vídeo da família ou quem sabe para folhearem o álbum de fotos do casamento, do aniversário dos filhos, aquele momento inesquecível ou aquela viagem maravilhosa. Faz muito bem recordar as boas lembranças que ficaram gravadas na memória. Lembre-se das coisas boas que fizeram juntos, das conquistas, dos sonhos alcançados, dos momentos alegres em vez de se deter apenas nas dificuldades e crises. Não viva apenas do passado, traga à sua mente as boas recordações e tenha certeza que os bons momentos em família podem ser revividos, basta querer.

2) Subtraia o stresse, o egoísmo e a falta de perdão

A partir do momento que se propagou a ideia de que “tempo é dinheiro”, o trabalho tornou-se, para muitos, uma obsessão, beirando à patologia. Muitos lares se desfazem, justamente por causa desse excesso de dedicação, o que os especialistas chamam de “workalic”. Portanto, viva uma vida mais amena, diminua o ritmo e livre-se do stresse. Trabalhar faz bem, estudar também, mas tudo no seu devido tempo.

Outra subtração necessária é o egoísmo, uma das principais causas dos fracassos familiares. Quando o “eu” se torna mais importante do que o “nós”, a relação fica individualista e sem graça. Compartilhe os sentimentos e as boas atitudes. Em família, todos ganham quando se ajudam e quando cada um faz a sua parte. Quando cometer um erro, admita que errou e peça perdão. Fazer isso pode ser difícil, principalmente se você foi o causador do problema, mas vale a pena. Se você foi a vítima, libere o perdão. Não acumule raiva nem ressentimentos.

Se acha impossível eliminar todos os males acima, pelo menos experimente diminuí-los, graduadamente. Vai perceber que a sua qualidade de vida vai melhorar consideravelmente.

3) Multiplique o amor e o respeito

Na relação conjugal, amor e respeito andam lado-a-lado. Mulheres que respeitam seus maridos e maridos que amam suas mulheres são mais felizes. As mulheres precisam se sentir amadas e protegidas enquanto os homens precisam ser respeitados e honrados. Amar é mais que um sentimento interior. Amar é uma escolha e precisa ser demonstrada na vida a dois. Com os seus amigos tente manter também uma relação baseado no amor e respeito igualmente, mantendo viva essa flor que é a amizade, "regando-a" de vez em quando para que ela se mantenha viva!

4) Divida os ganhos e as perdas, as vitórias e as derrotas, o “sim” e o “não”

Temos a tendência de esconder os sentimentos negativos e os fracassos. Em família, somos o que somos e não há como usar máscaras. Os ganhos e as perdas, as vitórias e as derrotas habitam em cada um de nós. Se agora estamos bem, daqui a pouco poderemos experimentar decepções. Assim é a vida. Altos e baixos fazem parte do quotidiano de qualquer pessoa. Ouvi um dia uma frase que me chamou a atenção e dizia assim: “dor dividida com alguém é dor pela metade”. Por conseguinte, posso então afirmar que quando a alegria é dividida, passa a ser em dobro! Assim precisamos, aprender a dividir as coisas e isso inclui tarefas, responsabilidades, tomada de decisões, os ónus e os bónus da relação. Se agirmos assim não ficará pesado para ninguém e todos vão ganhar. Um bom balanço é feito quando os extremos são compartilhados, quando todos assumem o seu papel e quando não há culpados nem derrotados. Quando um casal toma uma decisão, ambos devem assumir os riscos.

Para fechar o seu balanço anual sem pendências e perdas entenda que família é um bem precioso que não pode ser descartado. Lembre-se de que os bens materiais e as posses não são importantes, mas a família é. De nada adianta tanto esforço e ganho sem ter com quem compartilhar. Nenhum sucesso ou brilho individual compensa o fracasso no lar.

Mas desde sempre somos confrontados com binómios antagónicos: o Bem e o Mal, o peso e a leveza (do nosso amigo Kundera), o quente e o frio, o ser e o não ser... Mas toda a minha vida o binómio que se apresentou mais complicado de resolver foi o que opõe as diversas perspectivas de a encarar: o copo meio cheio ou meio vazio. Mas será que a escolha resolverá alguma coisa? É que, no fundo e apesar do livre arbítrio, a vida será sempre o meio copo que, incansavelmente, tentamos encher...certo? Estou analisando as contas da vida e resolvi parar tudo para fazer um balanço, quando o extracto sair...publico aqui :)

Boas entradas no Novo Ano.

#fechadoparabalaço #objectivos2018

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