• Ana Carina Nunes

Minimalismo


Com a proximidade do Natal, cada vez se fala nas famosas compras, trazendo consigo uma enxurrada de pessoas aos centros comerciais, supermercados e aos sites de lojas na internet. Desde os pequenos presentes dos já consagrados “amigos secretos” até aqueles destinados à família e amigos, passando pelas compras para as ceias e pela tradição de ter uma roupa nova para estrear, o estímulo ao consumo eleva-se aos maiores níveis do ano nesta altura! Diante da realidade em que estamos inseridos, surge em mim um desejo para ressaltar o papel do consumismo no qual vivemos mais significativamente nesta época.

Estamos perdendo o verdadeiro sentido do Natal, ou de forma mais generalizada, estamos perdendo o encanto de estarmos juntos festejando, aproveitando o momento junto de quem mais gostamos ou simplesmente acreditando que os bens de consumo possam substituir o estar presente. Logo no natal, quando se era para ter um espírito dito “natalino”, de pensar no próximo e evitar desperdícios. Este ano em particular senti um peso enorme derivado destes excessos, sobretudo pelos lanches da empresa cheia de iguarias e numa espécie de obrigatoriedade de dar e receber prendas

Menos é mais!

Este ano decidi viver um natal diferente e mais minimalista! Enquanto há quem procure comprar mais, outras pessoas há que compram o mínimo indispensável. Este ano optei por esta segunda versão .O meu minimalismo, como disse, reside nesta contracorrente. Ao invés de comprar e comprar, sobretudo o que realmente não necessitamos (vemos como temos coisas desnecessárias quando precisamos fazer uma mudança de casa), o minimalismo defende que as pessoas deveriam ter o mínimo. Dizendo desta forma pode parecer que perderíamos, certo? Porém, para o minimalismo, o que perdermos é o peso psíquico de ter demais. Ao deixarmos tantas coisas irem embora (seja para o lixo, seja para doação, seja para venda para terceiros), ficamos mais leves, mais em paz, mais felizes. Quando não somos dependentes das coisas ou não somos mais definidos pelo o que possuímos, começamos a tomar decisões mais conscientes e isso acaba por nos libertar de medos, preocupações, angústias, culpa e das armadilhas do consumo que acabamos construindo em nossas vidas e que nos fazem sentir que estamos presos aos nossos empregos ou a determinados círculos sociais.

O que é o minimalismo?

Minimalismo é a nova palavra da moda, principalmente entre pessoas que já se cansaram do consumismo desenfreado e agora estão prestando um pouco mais de atenção em coisas que o dinheiro não pode comprar, como a satisfação com a vida e a felicidade. Mas, ser minimalista, não significa viver em um apartamento pequeno com poucos móveis modernos e brancos e não ter televisão. Também não significa livrar-se de todas as roupas, não ter mais prazer algum fazendo compras e só pensar em viajar com uma mochila ás costas.

Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida ou uma preferência estética. É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrarem dos excessos, em detrimento de se concentrarem no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade. Esta mudança está directamente ligada ao que cada um entende como felicidade. Por isso, não está errado querer ter um carro confortável, roupas de marca caras ou uma casa grande se essas coisas são importantes para si e fazem a sua vida feliz. O problema está no significado real que essas coisas tem nas nossas vidas e no sacrifício que as vezes fazemos para possuí-las sem perceber o quanto elas prejudicam o nosso bem-estar, relacionamentos e até mesmo a nossa saúde.

Será apenas uma moda?

As atuais ideias que guiam comportamentos minimalistas são, na realidade, muito antigas. Se considerarmos a Revolução Industrial e a sociedade de consumo formada por ela, o minimalismo pode parecer novo. Mas o conceito de reduzir excessos, em si, remonta aos estóicos e ao princípio das religiões.

O Estoicismo foi uma escola filosófica da Grécia Antiga, surgida no século 4º a.C., que definia a felicidade como objetivo central da vida, sendo a felicidade um conceito relacionado a uma vida simples e em harmonia com a natureza. De acordo com os estoicos, o sábio é, por definição, feliz. Por isso, a felicidade na vida é algo tão importante para os minimalistas.

No entanto, a palavra "minimalismo" surgiu de movimentos artísticos do século 20 que seguiam como preceito o uso de poucos elementos visuais, e, aos poucos, foi migrando para o campo do social. Enquanto expressão comportamental da sociedade, o minimalismo é um reflexo de movimentos contraculturais anteriores, como o punk e o hippie, que questionaram a sociedade de consumo e seus excessos. Mas desde a sua concepção - o minimalismo seria mais antigo que a ideia de Jesus Cristo, como referi, portanto - o conceito de uma vida minimalista tem sido adaptado para a realidade social e econômica de cada época.

Dicas para se tornar mais minimalista

Para ser minimalista não existem regras. Não vou aqui descrever os 10 passos que o farão se livrar de tudo o que é desnecessário da sua vida. Até porque, cabe a cada um saber o que é importante para si mesmo. Mesmo não existindo essas regras para se tornar minimalista, existem alguns caminhos que podem ser um excelente ponto de partida caso esteja interessado em começar esta jornada. Deixo algumas abaixo:

1) Tome verdadeira consciência da razão pela qual não consegue separar-se das suas coisas: Às vezes sentimos a necessidade de guardar coisas que só servem para nos lembrar do passado – coisas que já não importam e que são muitas vezes estão ligadas a memórias infelizes.

2) Ter mais tempo e ser mais produtivo: A capacidade do seu cérebro, a sua energia e o seu tempo têm limites. Menos posses significa menos distrações e mais tempo para ser gasto em coisas que realmente importam. Passar o tempo com seus amigos, familiares e entes queridos, ir ao ginásio, fazer uma caminhada despreocupado, meditação e/ou yoga, aprender novos idiomas, etc.

3) Deite já alguma coisa fora: Comece com coisas que sejam claramente tralha; depois Desfaça-se daquilo que não usa há um ano; Não há um único artigo de que se possa arrepender de ter deitado fora; Todos nós sabemos como é prazeroso ter um espaço livre da desordem. Sua vida ficará muito mais calma, com menos coisas pelo caminho e sentirá menos stress;

4) Minimizar é difícil, mas não impossível: Desfazer-se de algo requer perícia; Quando deita alguma coisa fora, na realidade, ganha mais do que aquilo que perde; Comece dando uma olhadela no seu guarda-roupa, nas suas gavetas, nos seus armários e separe tudo em três itens:

a) objetos que você não usa e nunca mais vai usar

b) objetos que você usa às vezes

c) objetos que você usa sempre e são úteis para si

5) Pegue os objetos classificados em a) e desfaça-se deles: vendendo ou doando para quem pode vir a utilizar estas coisas. Se for difícil para você se saber se vai usar ou não vai usar no futuro (critério b), volte a fazer a avaliação daqui a um mês. Se não tiver usado nem uma única vez, é provável que não use em 12 meses ou 12 anos.

6) Organizar não é minimizar: Ataque o ninho (armazém) antes da praga (tralha) e deixe o seu espaço “não utilizado” vazio, ou por outras palavras abrir mão de absolutamente tudo o que não tem utilidade.

7) Diminuír radicalmente as idas ao shopping: Este era o meu lugar preferido para passar o tempo e passear. Adorava olhar as montras e receber pilhas de catálogos em casa. com o tempo percebi que 2/3 do que eu comprava eram usados apenas uma vez, quando não ficava esquecido no armário. Resumindo, para que comprar? Depois que parei de ir ao shopping eu percebi que eu não só deixei de comprar coisas inúteis, mas comecei a usar mais as roupas que eu já tinha em casa. Antes de comprar qualquer coisa nova, pergunte a si mesmo: Isto vai ser útil de verdade? Isto é só para ter? Para satisfazer uma falta? ou apenas porque está barato? Perceba de uma vez por todas que não há uma relação de longo prazo entre a felicidade e a compra de um objeto novo. O objeto pode te dar uma alegria momentânea, mas não mais do que isso.

Assim, O meu desejo de Natal deste ano, é que a essência natalina, que o amor estejam enfeitados em todos os lares, em todas as árvores, em todos presentes, para todas as pessoas, que este meu ponto de vista, descrito aqui, possa ser pensado criticamente e que nosso Natal possa ser lembrado e festejado com muitas felicidades mas de forma mais minimalista :)

BOAS FESTAS PARA TODOS!

#mininallismo

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